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Asia Bibi: “quem morre pela fé está sempre vivo”

Em entrevista coletiva na França, a cristã paquistanesa, Asia Bibi, agradeceu pelas orações durante os nove anos que passou no corredor da morte

A cristã paquistanesa Asia Bibi, que passou quase uma década condenada à morte por falsas acusações de blasfêmia e depois foi libertada e isolada no Canadá no ano passado, concedeu uma entrevista coletiva a 20 jornalistas na capital francesa.

Asia Bibi está no país para divulgação da autobiografia intitulada “Enfim Livre” (tradução livre). Ela escreveu a experiência de quase 10 anos presa em conjunto com a jornalista francesa Isabell-Anne Tollet. Uma das pessoas que fez campanha para a libertação da paquistanesa.

A repercussão de seu caso no mundo a tornou um símbolo de luta pela liberdade religiosa. A acusação de blasfêmia contra o islamismo fez com que ela passasse nove anos presa e sentenciada à morte. A Portas Abertas conversou com Asia Bibi, que falou sobre o tempo em que esteve presa no Paquistão. Confira a entrevista!

Como seu tempo na prisão mudou sua fé?

Minha fé sempre foi forte porque minha família tinha muita devoção, mas ficou mais forte porque agora eu sei que Deus está comigo – e ele não nos deixa, está sempre conosco.

Como é possível suportar tais dificuldades na prisão e não duvidar da existência de Deus?

Eu nunca duvidei, porque quando nasci, o líder da minha igreja disse à minha mãe: ‘Esta menina será testada por Deus’. E meus pais continuaram me contando essa história e eu sabia que isso iria acontecer algum dia.

Você percebeu que era um símbolo de esperança e fé enquanto estava na prisão?

Eu tinha muita paciência e esperança em meu coração enquanto estava na prisão. E eu tinha certeza de que seria libertada porque era inocente. Eu sabia que algum dia eu estaria livre. Quando meu pai veio me visitar, ele disse que fui acusada em nome de Jesus e disse que seria libertada em nome dele também.

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Asia recebe uma Bíblia em Urdu, seu idioma original, da equipe da Portas Abertas na França. Foto: Portas Abertas

Como você se sentiu ao ouvir que extremistas assassinaram um funcionário do governo que apoiou seu caso?

Eu senti muita dor. Realmente chorei porque ele era inocente. Sempre que penso nele, tenho lágrimas nos olhos. Mas também tenho a sensação de que ele está vivo porque quem morre pela fé em Jesus está sempre vivo – nunca morre.

Como foi a reunião com o presidente Macron?

Eu recebi muita atenção dele. Eu senti como se ele fosse um membro da minha família. Eu nunca pensei em sentar ao lado de um presidente e conversar com ele! E quando encontrei a prefeita de Paris foi como conhecer uma irmã. Eu também recebi muito carinho dela. Era como se ela estivesse me esperando há dez anos. O jeito que ela me abraçou foi como de uma irmã.

Você espera viver anonimamente no futuro?

Sou livre, mas preciso de segurança. Tenho certeza de que vocês entendem. Meu desejo na vida é que meus filhos tenham uma boa educação, eles foram muito prejudicados com tudo isso.

Onde você vai morar no futuro? Você vai ficar no Canadá ou se mudar para a França?

Ainda não decidi, vim para a França e estou muito ocupada. Então, eu só preciso de um tempo para me sentar e pensar sobre isso. O Canadá é um país muito bom e a França também.

Você tem uma mensagem para aqueles que oraram por você enquanto você estava na prisão?

Sim, tenho uma mensagem para eles. Deus está com eles da mesma maneira que esteve comigo. Vocês estão nas mãos dele, e isso é vital.

*Reprodução de Portas Abertas, e adaptado por Comunhão

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