Bruno Covas: “Padre Lancelotti é incômodo necessário para a prefeitura não perder o foco”

by @prflavionunes

O prefeito e candidato à reeleição pelo PSDB, Bruno Covas, defendeu nesta quarta-feira, durante entrevista ao EL PAÍS, o trabalho do padre Júlio Lancellotti, da pastoral do povo de rua. O religioso se tornou alvo de ataques nas últimas semanas após Arthur do Val (Patriota) ― que também está na disputa pelo Executivo municipal ― dar início a uma campanha de difamação com relação ao trabalho de Lancellotti. “Nos últimos quatro anos em que estive na prefeitura o padre nunca veio pedir nada pra ele, sempre veio até nós solicitar para essa população [de rua] que muitas vezes não tem voz, não tem que os defenda”, afirmou Covas. O prefeito disse que o trabalho do pároco por vezes é “um incômodo, mas um incômodo necessário para que a prefeitura não perca o foco” no atendimento aos moradores de rua. A entrevista com o mandatário é parte de uma série de conversas do jornal com os postulantes ao comando da capital.

Sobre a volta às aulas, Covas defendeu critérios “da área de Saúde” para determinar o retorno na rede municipal. O Governo do Estado prevê a retomada no dia 7 de outubro, mas o prefeito disse que pretende aguardar antes de bater o martelo sobre o tema. “Vamos nos pronunciar nos próximos dias (…) essa decisão ainda não foi tomada, estamos avaliando os últimos resultados de inquéritos realizados entre adultos e crianças, e analisando novos estudos para decidir”, afirmou. De acordo com ele, o retorno às aulas não será pautado por “pressão de professores, pais ou donos de escolas”. “A Saúde é que vai dizer se é seguro”, disse. Ainda segundo Covas, a secretaria de Educação já teria liberado recursos para compra de material, como máscaras e termômetros, para quando ocorrer o retorno.

Com relação a intervenções na região central, que fica deserto após o horário comercial, Covas defendeu o uso de imóveis ociosos no local como forma de garantir moradia para a população de baixa renda. “A gente deve enviar nos próximos dias o novo Projeto de Intervenção Urbana para a Câmara dos vereadores”, afirmou. A ideia é reformar imóveis deteriorados na região com uso de dinheiro público e privado para “trazer a população para morar no Centro”. “É preciso ocupar os espaços vazios que temos. Há a possibilidade de receber milhares de pessoas, tendo em vista a quantidade de habitações subutilizadas na região”, afirmou.

Para “descentralizar” a cidade e levar empregos para as regiões periféricas, que concentram a maior parte da população que precisa cruzar a cidade para trabalhar, o prefeito aposta na nova concessão de terminais de ônibus. Estes espaços devem ser melhor utilizados, segundo ele, para que se criem “novos centros espalhados com espaços comerciais”. “Temos que aproveitar os espaços públicos subutilizado para que eles se tornem espaços de geração de emprego e renda nas periferias da capital”, diz.

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