Procuradoria antiterrorista investiga ataque com faca perto da antiga sede do ‘Charlie Hebdo’ em Paris

by @prflavionunes
Bombeiros franceses carregam uma das pessoas feridas.
Bombeiros franceses carregam uma das pessoas feridas.ALAIN JOCARD / AFP

Pelo menos duas pessoas ficaram feridas nesta sexta-feira em um ataque com faca em Paris, realizado proximidades da antiga sede da revista satírica Charlie Hebdo, vítima há cinco anos de um ato jihadista, cujo julgamento está sendo realizado na capital francesa. Duas pessoas foram presas em conexão com o ataque, que está sendo investigado como atentado terrorista.

A procuradoria antiterrorista abriu investigação por “tentativa de homicídio em relação a ato terrorista” e por “associação criminosa terrorista” em torno do atentado que aconteceu por volta das 11h45 da manhã (horário de Paris) no 11º distrito da capital francesa.

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A princípio, falava-se de quatro feridos, conforme afirmou o próprio primeiro-ministro Jean Castex, quando interrompeu um evento do qual participava na periferia de Paris para retornar à capital e participar da sala de crise instalada no Ministério do Interior. No entanto, pouco depois, a polícia reduziu o saldo do ataque para dois feridos. Eles são trabalhadores da agência de notícias e produtora Premières Lignes, localizada no mesmo prédio onde ficava a antiga sede do Charlie Hebdo.

“Dois colegas fumaram um cigarro em frente ao prédio, na rua. Eu ouvi alguns gritos. Fui até a janela e vi um dos meus colegas manchado de sangue, sendo perseguido por um homem com um facão”, disse um funcionário da Premières Lignes à Agence France Presse. Outra testemunha garantiu que o agressor não entrou no prédio em nenhum momento. Um homem foi preso pouco depois nas proximidades da Praça da Bastilha. Alguns meios de comunicação falam de um segundo suspeito preso, mas nada foi confirmado oficialmente.

A polícia isolou imediatamente a área, e vários alunos foram trancados em escolas vizinhas.

Novas ameaças jihadistas

O ataque acontece no momento em que o julgamento do atentado de janeiro de 2015 ao Charlie Hebdo e a um supermercado judeu está sendo realizado no Tribunal de Paris. Nos últimos dias, a revista satírica denunciou novas ameaças jihadistas, especialmente depois de ter republicado as charges de Maomé como resultado do início do processo, no início de setembro.

Nesta quarta-feira uma centena de meios de comunicação publicou uma “carta aberta aos cidadãos”, alegando que a liberdade de expressão é tarefa de todos, em pleno julgamento pelos terríveis atentados que chocaram o país e a comunidade internacional. “Hoje, em 2020, alguns de vocês são ameaçados de morte nas redes sociais quando expressam opiniões únicas. A mídia é abertamente alvo de organizações terroristas internacionais. Os Estados pressionam os jornalistas franceses ‘culpados’ pela publicação de artigos críticos”, explicaram na plataforma Juntos, Defendamos a Liberdade.

Nenhum dos autores materiais dos atentados, os irmãos Chérif e Said Kouachi, que perpetraram a massacre no Charlie Hebdo, e seu cúmplice Amedy Coulibaly, que matou a um policial antes de atacar o supermercado judaico, estão vivos. Os 14 réus no caso Charlie são chamados de “segundas facas”, 13 homens e uma mulher, Hayat Boumeddiene, parceira de Coulibaly, acusados de participar de uma organização terrorista criminosa e por diversos graus de cumplicidade, apoio logístico, financeiro ou material. Estão sujeitos a penas que vão de 10 anos à prisão perpétua. Só 11 dos acusados se sentarão no banco dos réus desta vez, já que Boumeddiene e outros dois processados, Mehdi e Mohammed Belhoucine, fugiram dias antes dos atentados para a região da fronteira entre Síria e Iraque. Suspeita-se que os irmãos Belhoucine morreram. Há cerca de seis meses, outra jihadista retornada à França afirmou ter visto em outubro de 2019 Boumeddiene no campo de Al-Hol, onde vivia sob uma identidade falsa. Seu paradeiro atual continua sendo desconhecido.

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